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Bad Bunny no Super Bowl: discurso político e estética minimalista marcam o show

A apresentação de Bad Bunny no Super Bowl uniu estética e referências culturais em uma performance que rompeu com as expectativas do público. Ao trocar figurinos extravagantes por um visual minimalista, o artista porto-riquenho centralizou as atenções em uma celebração da identidade latina, pautando temas sociais no evento de maior audiência da televisão mundial.

Apesar das especulações de que Bad Bunny utilizaria o palco para protestos políticos diretos ou críticas ao ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA), o artista optou pela neutralidade visual. A apresentação evitou a subversão de estereótipos masculinos comumente associada ao seu estilo, marcando uma mudança em relação às suas performances anteriores.

Durante a coletiva de imprensa da Apple Music, dias antes do evento, o cantor já havia antecipado que o foco do show seria o entretenimento. O anúncio, contudo, não impediu que casas de apostas registrassem movimentações sobre a possibilidade de o rapper utilizar saias ou vestidos de gala. A principal quebra de expectativa residiu na escolha da marca: em vez de grifes de alta costura — como a Schiaparelli, que o vestiu no Grammy na semana anterior —, o cantor utilizou peças da rede de fast fashion Zara.

Bad Bunny iniciou o show com o hit “Tití Me Preguntó”, vestindo um conjunto monocromático branco composto por camisa, gravata e uma camisa de futebol americano personalizada com o sobrenome “Ocasio” e o número 64. Nos pés, o artista utilizou o modelo Adidas BadBo 1.0 na cor creme, oficializando o lançamento de sua nova colaboração com a marca esportiva. Durante o interlúdio de Lady Gaga, ele substituiu a peça esportiva por um blazer cruzado, mantendo a paleta de cores. O convidado Ricky Martin seguiu a mesma linha estética, com um conjunto de alfaiataria branca de corte solto.

A apresentação centrou-se em temas de união, sintetizados na frase “Deus abençoe a América” e na citação de diversos países do continente. No encerramento, o artista exibiu uma bola de futebol americano com a inscrição “Juntos Somos América”. O figurino da produção também incorporou referências a Porto Rico, como os tradicionais chapéus “pava” e as cores da bandeira local. Lady Gaga acompanhou a temática ao utilizar um vestido da marca Luar adornado com um broche da Flor de Maga, símbolo nacional da ilha.

A cenografia incluiu elementos de simbolismo social, como canas-de-açúcar — referência ao período colonial — e estruturas que simulavam postes de energia elétrica, aludindo à precariedade do sistema energético de Porto Rico durante a performance de “El Apagón”. Ao contrário de outras aparições públicas do artista, marcadas por manifestações políticas explícitas no vestuário, a opção pelo minimalismo no Super Bowl priorizou uma estética limpa e voltada à celebração cultural.

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