O Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) vem a público denunciar as ameaças constantes que suas lideranças têm sofrido ao longo das últimas semanas e repudiar os atos de censura que a Prefeitura de Maceió e a Braskem têm operado contra setores da imprensa alagoana.
Em 12 de julho, houve uma reunião pública entre o prefeito JHC (MDB), um grupo de servidores municipais e organizações de vítimas do crime socioambiental da Braskem. Diversos veículos de imprensa locais compareceram à Prefeitura para realizar a cobertura do evento, além da nossa assessoria de comunicação, mas todos foram impedidos, por funcionários do órgão, de participar do encontro, bem como foi totalmente vetado o registro, em vídeo ou áudio, das pautas discutidas.
A proibição, aparentemente sem propósito, acabou se revelando como uma forma de impedir a divulgação das ameaças que uma das lideranças presentes dirigiu a um integrante do MUVB durante alguns momentos da reunião, ato que não provocou qualquer tipo de oposição por parte das autoridades municipais, que assistiram a tudo em silêncio.
Em 25 de julho, houve outra reunião entre servidores do alto escalão da Prefeitura de Maceió e organizações de vítimas da Braskem. Desta vez, duas lideranças presentes ameaçaram os integrantes do MUVB, mesmo estando na presença das autoridades municipais, que, novamente, assistiram a tudo em silêncio.
Nos dias que sucederam esse evento, as ameaças passaram a chegar sob diversas formas: mediante recados de terceiros, através de ligações telefônicas ou por meio de mensagens de texto cifradas. Em algumas ocasiões, os membros do MUVB chegaram a perceber a ação de hackers em seus aparelhos celulares com o intuito de eliminar arquivos de gravação das reuniões citadas.
Em 6 de agosto, o repórter fotográfico Edilson Omena, funcionário do jornal Tribuna Independente, foi alvo, pela segunda vez, de uma tentativa de censura, cujo objetivo era impedir a cobertura do desabamento de uma casa no bairro do Pinheiro. Edilson Omena declarou que foi intimidado por um servidor da Defesa Civil de Maceió e um segurança particular terceirizado pela Braskem.
“Eles chegaram me intimidando, pediram que eu fosse para trás de um caminhão que estava estacionado em frente à casa para conversar e me pediram para apagar as imagens, alegando que era uma área privada e que a imprensa não tinha autorização de estar ali. Falei que não iria apagar. Nisso, um dos seguranças responsáveis pela área chamou reforços’’, relatou o repórter.
O MUVB entende que atos dessa natureza, que vêm se tornando prática na gestão do prefeito João Henrique Caldas (MDB), cerceiam o estado democrático de direito. Em primeiro lugar, silenciar por várias vezes diante de ameaças explícitas a um movimento social é dar legitimidade para que elas persistam e até evoluam. Em segundo lugar, promover o silenciamento de veículos de comunicação que tentam cumprir seu papel social ao noticiar um tema de interesse popular viola gravemente o princípio constitucional da liberdade de imprensa.
Por outro lado, ao se voltarem contra a luta de um movimento frutífero e a unidade de ações entre as vítimas, algumas organizações civis acabam fortalecendo a Braskem. Portanto, políticas como essas servem apenas para beneficiar a mineradora criminosa, que se esconde atrás do poder público e de algumas lideranças para esquivar-se do pagamento ágil e justo das indenizações por danos morais e materiais.
Atitudes antidemocráticas como as que vêm sendo tomadas pela atual gestão da Prefeitura de Maceió em conjunto com a mineradora Braskem merecem todo o nosso repúdio. Ao repórter Edilson Omena e à Tribuna Independente, que demonstram mais compromisso com as 65 mil vítimas do crime socioambiental da Braskem do que as autoridades municipais, todo o nosso apoio em função da coerção sofrida e o nosso respeito pelo cumprimento — cada vez mais raro — do papel social da imprensa.